100%
  FECHAR
Aprovada pela Câmara a aquisição do Colégio Liminha por R$ 8 milhões
Aprovado por unanimidade, na sessão ordinária de segunda-feira, 26 de junho, o Projeto de Lei Nº 20/2017, que autoriza o Executivo Municipal a efetuar a compra do Colégio Franciscano Santa Rosa de Lima, o Liminha, por R$ 8 milhões. O valor será pago em 60 parcelas, sendo 48 vezes de R$ 134 mil e as últimas 12 com o valor sendo reajustado pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas.
Tão logo tomou conhecimento das conversações entre a prefeitura e a Sociedade Caritativa e Literária São Francisco de Assis (SCALIFRA), administrada pelas Irmãs Franciscanas e responsável pelo educandário, a Câmara de Vereadores de Santa Rosa emprestou seu total apoio para a concretização do negócio, firmando o compromisso em devolver recursos financeiros de seu orçamento para a aquisição.
Para tanto, a Mesa Diretora apresentou emenda aditiva ao PL 20, onde destaca, em seu artigo 3º, que o Poder Legislativo destinará mensalmente o valor necessário para o pagamento de todas as prestações assumidas no contrato.
Numa demonstração de compreensão de que o patrimônio tem um inegável valor histórico-cultural para o município, todos os 15 vereadores da Câmara de Santa Rosa, sinalizaram junto às reuniões realizadas no Legislativo, o apoio à compra.
Para os vereadores, a aquisição do Liminha, que encerra suas atividades no final do ano, é uma oportunidade de dispor à comunidade, um amplo espaço que resultará em serviços ao cidadão, além de otimizar e tornar mais eficiente a gestão pública e o atendimento ao contribuinte.
Em um espaço físico de 9.176,96m², e uma área construída de 8.654,19m², o local, além dos prédios, onde o município passa a estudar sua forma de ocupação, oferece também um novo e moderno ginásio de esportes, que possui quadra de tamanho oficial para a realização de competições.
Segundo a Fazenda Pública do município, o Poder Executivo poderá economizar cerca de R$ 40 mil mensais em locações, transferindo órgãos e entidades para o novo local.
Os vereadores também levaram em consideração o estudo feito pela Comissão Permanente de Avaliação de Imóveis, que apontou que, em valor real o imóvel vale mais de R$ 15 milhões.
As Irmãs Franciscanas estão em Santa Rosa desde janeiro de 1943, ano em que fundaram o educandário na avenida Borges de Medeiros, local onde foi lançada a base de Santa Rosa. Em 1946 passou a contar com o Curso Ginasial e anos depois a Escola Técnica do Comércio, extinta em 1962 e que formou 183 contabilistas. O Curso de Formação de Professores Primários teve início em 1954. Com a aquisição pelo Poder Público, a história e a memória ficam preservadas.

História da Câmara Municipal de Vereadores de Santa Rosa

A história política de um município é escrita pelo Poder Legislativo. É na “casa do povo” que acontecem os grandes debates para construção de uma sociedade pujante e igualitária.
A primeira legislatura aconteceu em 1935, cuja posse dos primeiros vereadores ocorreu em plenas comemorações natalinas, tendo como seu primeiro presidente o Sr. Alfredo Leandro Carlson.
A partir de então se realizou a primeira eleição pelo voto direto, que indica Oscar Germani para Prefeito, fruto de um consenso entre as duas correntes políticas locais, a Frente Única e a Chapa Colonial.
A elaboração da primeira Lei Orgânica de Santa Rosa, foi essencial para a organização do Município, cujo documento, escrito a próprio punho por Carlson estabelecia que os Vereadores não teriam vencimentos e sim uma ajuda de custos. Os decretos seguintes estabeleceram regras sobre concessão e vendas de terras, vencimento do funcionalismo, orçamentos e criação da guarda municipal.
Em 10 de novembro de 1937, as tropas cercam o Congresso Nacional, que é dissolvido e Getúlio Vargas anuncia a implantação do Estado Novo, outorgando uma nova Constituição. Em 23 de novembro, Alfredo Carlson escreve a punho a ata de encerramento das atividades do Poder Legislativo. A ditadura fecha o parlamento por 10 longos anos.

(Transcrição da ata mantendo a grafia original)
"Aos vinte e três dias do mez de novembro de mil novecentos e trinta e sete, nesta villa de Santa Rosa, Estado do Rio Grande do Sul, no edifício da Prefeitura Municipal presente ao Sr. Alfredo Leandro Carlson, ex presidente da Câmara Muncipal de vereadores, por ele foi declarado que em virtude da promulgação da nova Constituição Brasileira, muito embora não haja recebido communicação official de quaisquer autoridades sobre o fechamento das Câmaras, resolvia pelo conhecimento que tem sobre o caso pela divulgação, por meio dos jornais, encerrar para todos os efeitos os trabalhos, devendo a secretaria comunicar tal facto ao Exmo. Sr. General interventor federal, e logo em seguida organisar o respectivo archivo até 30 do corrente, actos esses praticados pelo respectivo funcionário director da Secretaria. Do que para constar e para todos os efeitos lavrou-se a presente acta que vae devidamente assignada".
                                                       Alfredo Leandro Carlson (assinatura).

Memorial